HISTÓRIAS HISTÓRICAS

Era uma vez. Um abraço do tamanho do Mundo

Ele há romances históricos que eu adoro.
Ele há também histórias históricas que eu devoro.
Uns e outras, no respeito pela verdade histórica, sempre.
Aqui vai mais uma, envolvida num abraço do tamanho do Mundo.

Que hoje é um dia muito especial. De lembranças. De saudades.
De esperanças.
Não falo de mortos mas de passagem.
Quantos já vi passar por mim.
São coisas da vida. Nela cabem momentos que vivi.
Ele foi o colega da terceira classe, lá pelos oito,
que trocava os deveres pela bola.
Eles foram os perfeitos do colégio interno, lá pelos onze,
que nos acordavam. O frio era tanto que às vezes nos sorriam.
Eles eram os sete da equipa de andebol do Liceu.
Afirmávamos a pés juntos sermos todos iguais.
Mas cá por dentro, uns eram mais iguais que outros.
Elas foram, que saudades, as manhãs na cama a ler o TimTim.
Que a dor de cabeça me impedia de ir à escola.
No que a minha Mãe fingia acreditar.
E mais. E mais.
São coisas da vida. São memórias sem história,
que não merecem o tempo de contar.

Já a vida das coisas são coisa diferente.
São histórias históricas, as tais que nos fazem ser a gente que somos.
Pára para pensar. Que seja só pelo tempo da brisa que passa,
da chalaça sem graça, dum sinal encarnado. E verás.
Comigo foi assim.

Ele era Natal. Não importa qual. Se anos quarenta ou setenta do século passado. Se em anos recentes do século atual.
Personagens diferentes estariam presentes no dia a seguir.
E a paz estaria comigo. E contigo também.
Se crente a paz seria o Menino a nascer. Se não, a paz seria o calor dos chegados, a alegria da festa e da partilha.
Para todos também a hora do perdão.
Que cada dia que passa construímos barreiras que há que amainar.
E essas mãos, quão iguais no século passado ou presente.
Seja a tradição cozer polvo ou bacalhau, mexer rabanadas, mexidos ou queimar o creme da avó,
essas mãos são pilar, estaca, acontecimento de quanto acontece.
Tu sabes porquê.
Foram elas que me afagaram ao dar-me a mamada,
foram elas o meu aconchego em noite de dor,
foi dela a meiguice na face em dia feliz,
foi dela o dedo a apontar os caminhos da verdade.
Que a vida das coisas és tu.
Bem hajas, minha Mãe, meu amor.

Diz lá meu irmão.
Isto já te aconteceu?
Olha que a mim também.

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