HISTÓRIAS HISTÓRICAS

Era uma vez… 

 

 

 

 

 

Uma mão cheia de sete gerações

Ele há romances históricos que eu adoro.
Ele há também histórias históricas que eu devoro.
Uns e outras, no respeito pela verdade histórica, sempre. Mas contendo uma componente romanesca que projeta em cada leitor lembranças, detalhes, reminiscências que as convertem em memórias como se fossem suas.
Aqui vai mais uma, com mão cheia de sete gerações. Que eu percorri. Era um mais velhinho com quem convivi.É outra, pequenina, que ainda me dá beijos ao longe. É que eu curo a minha e vossa pandemia com a bondomia dos afetos, mesmo que só com gestos distantes.
Isto a propósito do que me aconteceu. Esta madrugada ouvi uma conversa deleitosa. A minha bisneta Benedita, olhando o alto, fazia perguntas ao meu tio Manuel da Cunha. Aquele que eu visitava na sua casa de Lamego, nas folgas de domingo, interno que estava no Colégio de lá. Entre as névoas do sonho recordo uma pergunta:

Avô antigo: quando tinhas a minha idade o que querias ser quando fosses grande? E o que te aconteceu?
Neta querida. Separa-nos um oceano de sete gerações. Mas curioso! Também eu mo perguntei. Lembro bem que em pequenino eu queria ser poeta e ser pintor. 
Escrevia e pintava na parede caiada do meu quarto, quanto via, quem amava, o que vivia. Mas uma pessoa não sabe porque é poeta ou é pintor. Mas cresci. Pouco estudei. Bem cedo fui ajudar o meu pai na sua padaria da Régua. Muita labuta. Mas fui feliz.
E agora, na casa dos noventa, tenho uma certeza: cada um é dono do seu destino. E há sempre um destino comum. Que maus e bons somos todos. Mas cada um só é capaz de alcançar a sua, pela tua redenção. 

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