E afaguei-Te

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E afaguei-Te.

E amparei o menino

Voltei daquele esterco
olhando-me por dentro
na busca da verdade.
Em cada dia
do ano que começa
avistarei, com cara de quem sofre,
aquela Mãe embalando a sorrir
o seu bebé.
Manuel Paulo – Natal 2017

Que importa, Menino

Que importa Menino
seres louça ou faiança,
teres dedo partido,
joelho esfolado,
quieto, calado,
sem trapo vestido.

Que importa Menino
virares solidão,
restando só cacos
tombados no chão,
da minha falta de jeito
de mão.

Que importa Menino
seres puto descalço
se afagas o  dentro
de quem se te chega,
o íntimo se gente,
a alma se crente.

Cruzei-me contigo
em noite passada.
Colhi cada caco do chão.
Inventei teorias
para te reconstruir.
Em todas falhei.

Mas hoje entendi.
Sozinho, o que resta de ti
são cacos sem vida
embrulhados em papel de jornal.
Mas eu, tu, mais o amigo que ali vai
regeneramos em Ti o essencial.

 

 

 

 

 

 

 

 


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One Response to E afaguei-Te

  1. José Moreira says:

    Também os poetas podem ajudar a construir um mundo melhor. Que o Deus-Menino que aqui evocas seja um sinal de paz e de fraternidade num mundo cada vez mais egocêntrico e com dificuldade em parar para pensar e em olhar para os que sofrem.

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