E festejei, na maior

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E festejei, na maior.

E festejei

 

Aquele abraço

Virando a esquina, apressado,
a fugir do tempo passado
tentando agarrar o tempo que vem,
olhei em volta no tempo que passa.
E parei. Olhei para o alto.
O que vi? O que aconteceu?
Sorriso rasgado do Nuno,
aquele abraço dos braços compridos
que aquece, conforta e consola,
que celebra o regresso ao tempo presente
e nos deixa um cheirinho do céu.

Sentado, ereto e calado,
de olhar especado no Mac,
gerando números, letras e funções
que esvoaçam divertidas
no único mundo que é só meu,
senti um toque no ombro,
virando suave massagem.
E parei. Olhei para o alto.
O que vi? O que aconteceu?
Sorriso rasgado do Nuno,
aquele abraço de braços compridos
que aquece, conforta e consola,
que celebra o regresso ao tempo presente
e nos deixa um cheirinho do céu.

No almoço em mesa alongada
servido em cada rodada
ao jeito da avó, qual maestro
impondo a entrada das cordas e dos metais,
aguardo o prato da sopa que fumega,
que enche o vazio cá dentro e por fora
daquela manhã de solidão.
Até que aspiro o aroma dum vulto, qual sombra,
a entrar, de mansinho na multidão.
E parei. Olhei para o alto.
O que vi? O que aconteceu?
Sorriso rasgado do Nuno,
aquele abraço de braços compridos
que aquece, conforta e consola,
que celebra o regresso ao tempo presente
e nos deixa um cheirinho do céu.

E agora que é gente grande?
Gente maior, qual Pai, qual Avô?

Venha daí aquele abraço
que sem o cheirinho do céu
o regresso ao tempo presente
é treta, ficção, fantasia sem graça
que nem um golaço valeu?

 

 

 

 

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