Gente poeta

Aos amigos que ficaram preocupados com o meu estado de espírito após a leitura do poema ” porque agora sou lixo”, quero dizer-lhes que em nada mudei.  Continuo o  mesmo optimista e sonhador.  Tratou-se apenas duma rábula ao lixo para onde nos querem atirar as agências de rating. Apeteceu-me bater-lhes.

Porque hoje é Sábado
parei a lembrar o que hoje pensei.

Para pagar as contas do médico e o funeral da mãe, Samuel Johnson escreveu Rasselas numa só semana. Estávamos em 1759, quatro anos após o terramoto de Lisboa.  Nessa odisseia, o príncipe da Abissínia sai de casa no “vale feliz de Amhara” para “ver as desgraças do mundo, já que observá-las é necessário para a felicidade”.  Regressado a casa “avalia o que seres como nós podem realizar; cada um labuta pela sua própria felicidade, promovendo no interior do seu próprio círculo, apesar de estreito, a felicidade de outros”. 
(Citação de Edward Paice em A Ira de Deus)

Digo eu.
As desgraças do mundo começam e acabam no nosso umbigo.
Alargar o círculo é fazer crescer o número de felizes.

porque

Poeta é gente,
com gente que passa
com gente que parte
com gente que vem.

Com gente,
sem crer ou se crente
de lado ou de frente
sem gente,
poeta é ninguém.

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