O desassossego do fazer

Porque hoje é sábado,
parei a pensar o que hoje pensei.
E pensei no desassossego do fazer.

E renovei a esperança

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo de suas lembranças.

Mário Quintana

 

Poema do desassossego

Basta.
Fazer coisas não aquece o coração.
Não o meu. Tão pouco o teu.

Que aquilo que resta
do desassossego do fazer
não acrescenta um côvado
à lembrança daquele
que cruza comigo. Ou contigo.

Mas faz o que tens a fazer
sem medo das tuas lembranças,
que são a origem e termo do que és.

Eu sei quanto é custoso.
Eu sei que as bolas de sabão
que eu lançava ao ar
quando criança,
nascidas numa lata velha
achada no lixo do meu quintal,
foram tropeços
quando penetrei
no mundo do fazer.

Fi-las explodir, uma a uma,
na crença de que seguia
o caminho certo
para ser crescido.

Até um dia,
porque era sábado,
em que parei para pensar.

Foi quando descobri
que fazer coisas
iguais ao que fazia
após a explosão
das bolas de sabão,
se for por gente,
com gente, para gente vizinha
aquecem, essas sim,
o coração.

É por isso, amigo,
que segredo-te ao ouvido
num sussurro:
apesar do que resta
do teu desassossego,
faz o que tens a fazer
sem medo das tuas lembranças.
Que elas são a origem e termo do que és.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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