E mostrei-me

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E mostrei-me.

GOYA-778px-El_Tres_de_Mayo,_by_Francisco_de_Goya,_from_Prado_in_Google_Earth

… Que vontade louca eu sinto cá por dentro 
de amarrotar o sol que eu vejo arder,
deitar janela fora o céu que creio.
Manuel Paulo – Pontas Soltas

Refugiei-me.
Escondi-me.
Sou aquele
que nesta imagem
não vislumbras,
disfarçado que estou
por de trás do pelotão.
Que a minha guerra
era um passado,
recordação distante
de histórias
que penduro na parede
para convidado elogiar.

Até que nessa maldita madrugada
brutal, sinistra, abençoada,
quando o quadro pendurado desabou,
o hediondo
disfarçado de pátria e de virtude
disparou.

Ergueu muralhas,
cavou trincheiras,
criou portagens
para cruzar os céus.
Arrasou pontes,
apagou o arco-íris,
violou a Promessa
da Aliança.
Jorrou a um profundo poço
tantos sonhos
que tu, mais eu
mais tantos outros,
brancos, negros, às riscas, encarnados,
um dia já sonhou.

Saltei o muro.
Transpus barreiras,
enfrentei de peito feito o pelotão.
É chegada a hora da verdade.
Publicitar
de qual dos lados estou.

Passa palavra, meu amigo, meu irmão,
que somos mais que muitos.
Lembra que foram
tantos outros muitos
que de perto ou de longe,
no passado,
pregaram na parede
o quadro com história
que lá esteve
para convidado elogiar.
Até que a tal maldita madrugada
brutal, sinistra, abençoada,
aconteceu.

 

 

 

 

 

 

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