E colhi uma rosa. Só para ti.

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E colhi uma rosa. Só para ti

Em ano a findar

 

As diversas coisas que fazemos na vida começam, com o tempo, a assumir a forma de recordação, e esta forma evocativa acaba por tornar-se mais importante do que aquilo que realmente vivemos.
Istambul – Memórias de uma cidade
Orhan Pamuk 

 

Em ano a findar
e porque hoje é sábado,
parei para pensar.

Inocente que sou,
busquei presumido
a marca da minha passagem
por cá.
Deixei-me embalar
em memórias distantes
de herói e cobarde,
profeta e descrente,
sucesso e solidão.

Peguei no que à mão
encontrei
no meu mundo paralelo
dos sonhos,
que histórias vividas
de factos e contos
há muito esquecidas,
de tão pouca história
nem valem a pena lembrar.

Inocente que sou,
ofuscado
pelo mundo dos sonhos
que julgava  só meu,
construí um castelo
de areia.
Deixei uma marca,
só minha,
em cada ameia,
ideando tal fortaleza
para a  eternidade.

Entretanto,
esta obra dum sonho
não resistiu
à brisa suave
soprada do mar.
E ruiu.
E quanto castelo
edificado
no meu mundo paralelo
dos sonhos
já caiu.
E quantos
sucessos e tombos
ainda virão.
De cada um deles
só a recordação
restará.

Mas factos e contos
vividos
no meu mundo da vida real
que busco encontrar,
para bem ou para mal,
são quanto  possuo para te dar.

E a seis horas
deste ano a findar
lembrando-te, amigo,
aqui vai, só para ti,
e só para ti,
e para ti também,
tudo quanto tenho.
Esta rosa branca que colhi.

 

 

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