E pensei nos murros que demos

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E pensei nos murros que demos.

E pensei nos murros que demos_1Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.
Madre Teresa de Calcutá.

Retirei, respeitoso,
o botão
do punho de renda
do braço direito
dum bom.

Dobrei-lhe o
punho de renda
à medida,
de jeito
que o murro na mesa
do bom,
soasse troante
no tampo de marfim.

Sentado
em frente do bom,
num banco de ferro
com tampo de rosca
que sobe e que desce
respeitando
o tamanho do mau,
é lida a sentença final.

E determina.
Que o réu
está impedido
de galgar,
no todo e no sempre,
para o lado de cá.

Que o muro
erguido em hora prudente
será o abrigo
do podre e da peste
do monstro e gentio,
do sul e do leste.
Está encerrada a cessão.

——

Que não derrotada
a batalha final.
Afinal,
os maus e os bons
somos todos,
mas juntos,
gentios ou crentes,
capazes
de abater
as trincheiras
erguidas em horas prudentes.
Amigo. Valeu?

Que os punhos marcados
no tampo da mesa
dos murros que demos,
deixaram a marca indelével
daquilo em que cremos.

Até já.

 

 

 

 

 

 

 

 

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One Response to E pensei nos murros que demos

  1. orlando says:

    É:
    Os murros que damos,os que não damos e apetecia dar.
    A fronteira indelével entre o que o que parece ser e não é, o desejo de compreender o sempre insondável, acorrenta e angustia!
    Murros no ar aliviam. A expressão poética, para os capazes alivia se não sublima. Eu gostava de ser capaz.
    Abraço. Orlando

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