Em dia de paragem.

Porque hoje é sábado, e dia de paragem,
parei a pensar o que hoje pensei.
E saltei o muro.

Saltei o muro

 

INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.

Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!”
Mário Quintana

 

E fez-se luz

Porque hoje é dia de paragem,
saltei o muro,
ganhei coragem,
mergulhei  fundo nos tempos de criança
e visitei os meus mortos
um a um.
E fez-se luz.

Olhei-vos um a um olhos nos olhos,
senti-vos o bater do coração,
provei dos vossos beijos e abraços,
cuidei dos vossos prantos e sorrisos
e vi quanto era bom
saber quanto vos amo,
ainda.

E quando chegar a minha vez
de partir no balão que se segue,
amigo, em dia de paragem
ganha coragem,
mergulha fundo nos teus tempos de criança,
vem terminar a história inacabada
que contavas só para mim quando eu parti,
de que jamais eu quis saber  o fim.

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