E renovei a esperança

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E renovei a esperança.

E renovei a esperança

 

“Esperar é, para mim, o primeiro verbo da vida… Vivo na esperança de ser capaz de acolher o outro em mim próprio como um eu próprio, uma autoconsciência. Espero amar. Viver é esperar à espera de que o futuro imaginado se torne presente. Em cada um de nós.”
Prof. Daniel Serrão – Outubro 2014

 

Espero, logo existo.

E agora?
Ó, por Deus.
Diz-me que sim.
Diz-me que existo porque espero.

Era noite. Escuro como breu.
Ligado ao cordão umbilical
a minha Mãe, meu viver e minha história,
flutuava nesse mar de leite e mel
na espera dum futuro imaginado.

Quando eu nasci na manhã seguinte
olhei o mundo em volta estremunhado.
Cruzei-o lado a lado
e vi-o rotulado nos bons e maus,
nos belos e mostrengos,
nos sós e consolados,
pomposos e coitados.
E nessa caminhada fui tropeçando
em luz e trevas,
disfarces e verdades,
perguntas e certezas,
vergonhas e virtudes,
coragem e temores,
amores e preconceitos.

E ao nascer,
no despojar-me do deleite desse mel
pensei feito criança:
Porque nasci? Qual é o meu caminho?
E qual o meu papel neste Mundo em colisão?

Será que existir é escolher
para onde vou? De qual dos lados estou?
Será que o existir é solidão?
E o que irei fazer
no tempo que me resta do viver?

Segui o meu caminho
e fiz a minha escolha.
Neste mundo inseguro em colisão
barriquei-me do lado da esperança.

Estou dum lado e doutro
na busca aos tropeções caminhos de verdade.
Espero amar. Acolher-te como um eu próprio.
Viver na espera da esperança,
de tornar presente o futuro imaginado
com que sonhei nesse mar de leite e mel.

E no tempo que me resta do viver,
tenho para mim
que a solidão não é caminho de existir.

É hora de parar para pensar.
Mas recuso a solidão.
Anda daí, amigo.
Contigo e quantos sonham a esperança,
vamos com fé converter o esperar
no primeiro verbo do viver.

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6 Responses to E renovei a esperança

  1. manuela says:

    Gostei muito. . . Mensagem de vida, de esperança, de fé num estilo muito teu. Porque será que só os poetas complicados que muitas vezes não se entendem é que ganham fama? Não entendo.
    Um abraço e parabéns

  2. Maria Cunha says:

    Cada sábado uma surpresa. Cada sábado um novo poema que me ensina a viver e a acreditar na esperança. Obrigada, Paulo.
    Um beijo. São

  3. Rui says:

    Um dos melhores poemas que tenho lido.
    Nesta hora do mundo é preciso espalha-lo para o tornar mais humano.
    Parabéns

  4. Jorge Milheiro says:

    Emocionei-me ao ler este poema. Dou muita atenção aos seus poemas, que nem sempre comento. Este merece o meu melhor comentário de sempre. Não serei capaz de o comentar, tal é a mistura de sentimentos com que me envolveu. Direi tão só que o li e reli e acho-o cada vez mais sentido e mais emocionante. Vou imprimi-lo, tentar decorá-lo, para numa oportuna situação o poder declamar com citação de autor. Bem haja pela partilha de tão bela poesia.

  5. Milucha says:

    Fantástico Paulo!
    Assim arrastas multidões.! Pois não acredito que “alma” alguma viva, qualquer que ela seja, não se deixe arrastar por esta força da esperança e do autêntico amor. Nunca a solidão. Irei contigo.
    Um abraço

    Milucha

  6. JOMI says:

    Chego um pouco atrasado mas, no momento em que li o teu poema, fiquei sem palavras. Tornei a lê-lo agora e continuo a olhá-lo sem o poder comentar, pois sinto-me incapaz de articular as ideias que possam definir os sentimentos de paz que me transmitiste. Apenas te peço e sugiro: continua a enviar-nos os teus poemas de sábado à noite, para preencherem melhor os nossos fins de semana.
    Um abraço
    João

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