E sonhei. Acordado.

Porque hoje é sábado,
parei a pensar o que hoje pensei.
E sonhei. Acordado.

E sonhei 
“Todos nós aspiramos regressar a essa condição em que estivemos tão fora de um idioma que todas as línguas eram nossas. Dito de outro modo, todos nós somos impossíveis tradutores de sonhos.     Na verdade, os sonhos falam em nós o que nenhuma palavra sabe dizer.”
Mia Couto. E se Obama fosse africano.

Mais um pouco
e não me vereis,
mais um pouco
voltareis a ver-me,
que vou trocar
palavras escritas
por sonhos calados
sonhados
no ventre da  Mãe.

Irei regressar
encolhido
ao centro do Mundo,
virando
o silêncio em ternura,
a noite em aurora,
fazendo
do frágil, magia
do nada, existir.

Irei reentrar
fascinado
na Terra Prometida
onde brota
o leite e o mel,
a tal que converte
espinhos em rosas,
silêncios em prosas,
em gente os ninguéns

E quando eu voltar,
(que eu vou regressar)
sedento de sonhos
virados em atos
que nenhuma palavra
sabe dizer,
vou traduzi-los para ti,
e para ti, e para ti,
em todas as línguas
do mundo.

E desde aí
toda a criança
nascida promessa
aqui e aí e ali
viverá novos sonhos
virados em atos.

Feliz.

 

 

 

 

 

 

 

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2 Responses to E sonhei. Acordado.

  1. Cristina says:

    Como é possível, estes poemas são tão tocantes que até arrepiam!
    Bjs com muito amor,
    Cristina

  2. Luis Heitor says:

    Teus poemas nos tocam e enbriam…
    Fico sempre aguardando sábado….

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