Vamos à festa

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E mergulhei bem fundo na festa que se avizinha…

Ponto de encontro1

Para quê fazer a festa?
Porquê agora?
Perguntarás.

Se tudo que se vê,
se tudo que se ouve,
se tudo que se sente,
se tudo que se apalpa e proclama,
é falso, é frágil, é cruel?

E porque não?

É que esta madrugada
eu tive a ousadia
de mergulhar bem fundo,
de cabeça,
nesse charco imenso
que é o nosso mundo.

E quanto mais descia
mais o Sol se via.

E face  a tanta  luz
que já nos ofuscava,
esse esplendor
que a paixão de tantos homens
acudindo a tantos homens
libertava,
eu e tantos outros,
talvez a maioria,
fizemos a promessa:
trazer à tona do charco essa paixão.

Que só a tona é turva,
é frágil e é cruel.
Que o charco cá no fundo
é maná de leite e mel.

E tu, amigo?
Vens fazer a festa comigo?

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4 Responses to Vamos à festa

  1. JOMI says:

    Mais um poema de rara beleza e sentido profundo. Dá que pensar. Continua a dar-nos a tua arte. Precisamos de POETAS como tu.

  2. São Taborda says:

    Que convite tão cativante! Lindo! Apetece ir fazer a festa contigo…
    A foto trouxe-me recordações. Recordar é viver.
    Obrigada, Paulo.
    Beijinhos.

  3. manuela Salvador Cunha says:

    Lá estarei com todo o gosto para colaborar contigo. O poema é lindo, cheio de poesia e sentido. Um abraço

    ~~~~~~

  4. Jorge Milheiro says:

    Caro Amigo Manuel Paulo
    Aqui, a mais de oito mil quilómetros de distância, é tão bom receber mensagens de quem se deixa tão longe!
    E absorver a sua poesia é melhor e emocionante e, ao mesmo tempo, retemperador nestas terras de Moçambique, onde há tantas dificuldades e não se tem tempo para iluminar o espírito, por tantas canseiras e situações inesperadas. A sua poesia faz-me acreditar que vale a pena. As crianças que aqui ajudo na sua formação, fazem-me ver o tal sol do seu poema. Que as dificuldades que enfrento se torna maná de leite e mel.
    Acredite que não tinha pensado assim. Obrigado por me ter ajudado com o seu poema. Sinto-me melhor, pois agora acredito estou a trabalhar para que estas crianças e jovens tenham uma vida melhor.
    Um grande abraço do Jorge Milheiro que espera continuar a receber os seus poemas.

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