Ao olhar-me, encontrei-te

Porque hoje é Sábado,
parei a pensar o que hoje pensei.
E encontrei-te.

Cinco séculos antes de Cristo, Lao-Tsé em A Regra Celestial escrevia:
Quem conhece os outros é sábio.
Quem se conhece a si mesmo é iluminado.

Que digo eu?

Meu irmão.
Passei dias e dias a buscar-te
na luz e nas trevas,
no certo e no torto,
no tempo e no modo,
no sempre e no nunca,
na alma e no corpo.

Cria p´ra mim
que olhar era ver-te,
que falar era achar-te.

Até que descobri a solução.

Olhei-me ao espelho
e desflorei o meu dentro.
E encontrei-te.

Assim,
esta carta é para ti
e para mim também.

…….

A ti
cuja última esperança
é esperar que amanheça,
para que esse dia
que começa
seja igual
ao de ontem, ao de hoje
ao de amanhã.

A ti
que instalaste
no teu coração
a perfeição como rotina,
que temes o ódio
e foges do amor,
que usas guarda-chuva
no bom e no mau tempo,
que arrancas por nada
ou quase nada
a raiz ao pensamento.

A ti
cuja última esperança
é esperar
que amanheça,
para que esse dia
que começa
seja igual
ao de ontem, ao de hoje
ao de amanhã.

A ti
que és
a cada hora que passa
um pouco
de tudo isto.
Do mau e do bom.
Do monstro e do belo.
Do pobre e do luxo.
Do santo e do vilão.

A ti
que naquela noite
em que caí
me deitaste a mão.

Esta carta é para ti.
E para mim também…

Excerto de Cartas a Job em Ponto Final.

 

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One Response to Ao olhar-me, encontrei-te

  1. José Lourenço Castro says:

    Como sempre: Muito bom.
    Um grande abraço com votos de muita saúde
    lourenço

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